Encontrei Noah Guthrie por acaso no Facebook do radialista da M80, Paulo Fernandes. E agora não descanso enquanto não ouvir tudo.
Muito bom, mesmo. Isto é música!
TOP!!!
Olá, olá!!!
Primeiro clicar no play para ir ouvindo UKO - Sunbeams enquanto vêem as fotos do trail :) Enjoy and chillout ;)
E agora sim, as fotos. Amanhã espero já conseguir colocar mais algumas :)
Mais umas fotos da caminhada pelos Trilhos de Almourol 2013. Belas imagens e belo passeio. Caminhámos cerca de 14Km por trilhos incríveis e houve por lá umas centenas de 'heróis' que percorreram trilhos duríssimos por 25 km e 42 km. Tudo muito bem sinalizado e organizado. Parabéns ao CLAC,
Deste-me a mão e entramos na sala. Era ampla e a música suave, enchia-a. Vários pares rodopiavam com mestria ao sabor dos sons e as mulheres eram todas belas. Gostei da forma como os teus olhos me escolhiam a mim.
Eles esbeltos e discretos e elas todas de branco. Eu de vermelho mas sem sentir aquela vontade de me disfarçar de ninguém. Gosto de vermelho. Ilumina-me.
Deixei escapar um sorriso e fiz de conta que passei a mão ao de leve nas tuas costas, sem querer. Mas não foi sem querer. Fechei os olhos para sentir a energia do teu arrepio e quando te olhei
- És linda
Eu sei que não é verdade porque os teus olhos além de me darem verde também são espelhos e eu vejo-me neles. Percebi que não vias apenas o meu rosto mas também a minha serenidade, essa sim, linda.
- Danças?
Nem sequer sei dançar mas quando dei por mim já me movia harmoniosamente pela sala, como se tivesse acabado de renascer e me tivesse tornado surpreendente até para mim.
O teu verde envolvia-me e apreciei cada desejo que senti de te beijar. Desejos são como achas em fogueiras. Ardentes. Alimentam e também podem destruir. É exactamente essa dualidade que fascina.
Deixei-me conduzir nesse bailado estonteante, ofuscada pelo verde cada vez mais intenso e pelo mel doce da tua voz que só me sussurrava o que eu gostava de ouvir.
- Dá-me o teu amor...
E eu pensei que se tivesses a coragem de gritar o meu nome bem alto no meio da multidão, equanto maior ela fosse mais alto gritavas, como um louco… Louco? Sim, louco e capaz de o ser, sem dúvidas nem pudores. Pensei que eu, perto, tão perto que podias sentir a minha comoção a cada sílaba gritada, aguardava que o meu coração se abrisse. Pensei em todos os amores que se mentem, em todos os sentimentos esquecidos e nos desamores também pensei, enquanto esperava que gritasses o meu ser aos quatro ventos, mas tu apenas
- Dá-me...
Sim eu dar-te-ia, penso que sim, mas o teu silêncio povoado de pequenos sussurros, protege-me e delicia-me ao mesmo tempo. Diverte-me e faz-me sentir tentada a promessas vãs que não tenciono cumprir.
Foi por isso que tremi quando te vi subir ao pequeno palco. Que fiquei para ali perdida, uma mancha vermelha no meio das imaculadas, tão brancas, e eu cheia de pecados tão vermelhos como o meu longo vestido, tão quentes como o desejo que tenho de ti. Sem querer acreditar que o meu nome pudesse soar tão alto como o gritavas e que mais uma vez, sem palavras tinhas vindo até mim, provar-me que não há distâncias entre nós. Não há diferenças.
Tu gritaste, e eu para ti, sem falsas promessas, sem pedidos... amo-te. Hoje.
A velha senhora dizia o meu nome em cruz sobre gotas de azeite que desapareciam ao cair na água como por magia. Eu limitava-me a olhar meio incrédula, meio crente, subjugada com aquela dor tão forte que sentia a latejar na minha cabeça. Aquela dor na alma toda mas que se concentrava no meu cérebro e que parecia o martelar numa uma bigorna com força. Muita força.
A velha lá continuava a sussurrar a sua ladaínha: «Some-te diabo para as ondas do mar coalhado, some-te diabo para as ondas do mar coalhado», e eu, de pálpebra levantada, ostentando o meu ar enfadado, mirava-a de soslaio prestes a fugir dali a arrastar a minha alma pesada e dorida para perto de um Ben-U-Ron, quando a minha mãe
- Não!!! Descontrai-te e acredita. Isto já é demais. E não se cura só com Ben-U-Rons.
Ao fim destes anos todos ela continua a ter este poderzinho irritante que foi ganhando ao longo do tempo á força de ter tido (quase) sempre razão e as histórias acabarem sempre com
- Vês?... eu bem te dizia!
E eu
- Sim mãe... sim mãe, pronto, não digas mais nada, ok?
E posto isto, lá baixei a pálpebra rebelde e deixei-me ficar, enquanto a velhota, discretamente, continuava: «...se eles quiserem bem podem, de onde eles vieram que pra lá tornem».
Podia passar por esta senhora na rua, mil vezes, que nunca lhe reconheceria qualquer poder de mudar o imutável ou expulsar quebranto ou fosse lá o que fosse para além de tricotar cachecóis, fazer belos biscoitos com chá e tomar conta de gatos dengosos. Mas lá estava ela, concentrada e crente, cabelinho muito branco e posto por ordem, sem um único fio fora do lugar, casaquinho de malha bêje por cima de uma imaculada camisa branca com bordado inglês e saia preta abaixo do joelho com irrepreensível sapato ortopédico a finalizar. Uma avozinha no seu melhor estilo e ainda assim, com um poder oculto, sem dúvida, uma vez que as bolinhas de azeite caiam agora inteiras, já não se desfaziam na água e eu já me sentia leve, como se finalmente a minha alma barulhenta se tivesse desencurralado do meu cérebro e se começasse a espalhar novamente por todo o corpo. Alívio.
A minha mãe percebeu e fez um meio sorriso que não entendi muito bem se era para manifestar o seu contentamento por mim ou apenas por ter tido razão mais uma vez. Aproximou-se, deu-me um empurrãozinho ao de leve a indicar o caminho da porta de saída e ficou para trás conversando com a minha salvadora.
Despedi-me e saí apreciando o surreal do momento e a cada passo que dava menos me apetecia entender. O entendimento tinha deixado de fazer sentido agora que me sentia repentinamente nas nuvens.
A minha mãe saiu atrás de mim e deu-me o braço, protectora:
- Então?? Que tal está a Madame Racional??
Ri-me
- Ó mãe! Que se lixem os Ben-U-Rons!! Avozinhas ao poder!!!
Rimo-nos as duas. No meio das gargalhadas ainda consegui ouvi-la dizer:
- Vês?? Eu bem te dizia!!!
Paula AbrEu
(num dia de Inverno, com uma dor de cabeça de bradar aos céus :)
Era meia-noite e a lua estava grávida.
Isso é que interessava porque o resto... a monotonia das palavras ocas como ecos gritados do alto de montanhas sós... não tinha interesse nenhum.
Numa noite que pode até ser a última, não consigo libertar-me, de tanto que me prendi, de tanto que me escondi.
Cobri-me de manto escuro, tão discreto, tão discreto, que ninguém me pode ver, tal a vergonha consentida sem pudor, sem amor próprio, sem pingos de orgulho... só lagos feitos de fracas lágrimas.
E se me olham, no meio da insegurança que me subjuga, tremo.
Não me olhem!
Se pudesse fugir, fugia. Embora saiba que a cobardia não é uma porta e sim um corredor sem fim nem fins previstos. De dentro da minha cobardia espreito, e todos os que assistem sentem o meu medo e se amedrontam, por isso peço...
Não me olhem!
Nos defeitos encontrados em meus actos me desculpo e encontro forças para não querer agir. Sei o fim da história, pouco surpreendente e repetitiva até á exaustão. A minha exaustão por não dominar o que me aperta e me conduz nas voltas revoltas que compõem a minha vida sem sentido.
Os olhares reprovadores de quem me julga, que sinto como agulhas silenciosas, sedentas da minha agonia, multiplicam-se.
Mais uma vez... não me olhem!
Miro uma última vez a lua grávida, minha confidente, e aprecio a sua felicidade branca, imensa e brilhante. Silenciosa.
Escapa-se-me um sorriso, e admito em voz alta:
- Tornei-me anti-social.
Paula AbrEu
Em 20/12/2012
2012012 - Data única e irrepetível, em que a também única frase deste som "And You got to let me go" me soou como um lema.
O almoço é solitário na salinha pequena do escritório. Fui eu que o fiz ontem á noite. Deixei tudo preparado e mais uma pêra para o lanche que a vida não está para restaurantes. Dou inicio ao "banquete" e procuro no saco, o livro que me anda a fazer companhia, quando cai ao chão, o marcador. Pego-lhe e releio uns rabiscos que lá escrevi um dia destes:
“Bocas que ofendem, que pecam, que beijam
Que murmuram um credo...
Mãos que afagam, que abraçam, que tocam
Ou que batendo no peito, assumem:
Minha culpa, minha culpa, minha tão grande culpa”
Palavras soltas á espera de um início e de um fim, se estes se resolverem a surgir, caso contrário continuarão a ser apenas, uns rabiscos num marcador de livros.
A seguir ao almoço gosto de ir dar uma volta pela Vila. Está frio e sabe-me bem o casaco quente e o cachecol assim como me sabe bem cumprimentar várias pessoas com quem me cruzo pelo caminho. Nesta terra não há solidão. Reparo na montra do fotógrafo e dá-me vontade de rir, quando a vejo cheia de fotos de noivas em poses sexy, com olhares lânguidos e pernocas á mostra mostrando a liga… tudo muito sexy para vestidos tão brancos e puros. Esboço um sorriso que não consigo conter quando o fotógrafo, já entrado na idade, me acena educadamente da porta:
- Boa tarde, menina. Está frio não está?
Passam-me as coisas mais incríveis e cómicas pela mente - esta mente que não domino.
– Está sim senhor!
E ele fica a olhar com aqueles olhinhos pequeninos e brilhantes, algo maliciosos até. Livra! Se me casasse agora não o queria para repórter fotográfico – penso eu divertida – ou talvez sim.
Olho em volta, sinto o burburinho, cheiro o frio e aconchego-me um pouco mais no casaco. "Isto é bom" – penso eu. E dou comigo a valorizar o presente. Constato que este povo que tanto aprecia criticar, quase como se fosse dono da verdade, nem se permite apreciar o que tem, limitando-se a temer um futuro cada vez mais incerto e apoiando-se num passado cada vez mais longínquo e turvo, cheio de nevoeiro denso e sem Reis salvadores perdidos lá dentro.
Torno a olhar a montra das fotos mas desta vez já só vejo a esperança nos olhos das modelos noivas.
E chegada finalmente a hora de regressar á realidade, deixa-me lá ir beber o meu café ao Chico, que o tempo não pára, a vida não pára, o pensamento não pára e, como dizia o poeta… o mundo pula e avança.